sábado, 30 de abril de 2011

Young Memories

N

ão me mostre perfeição, tampouco castidade, a última coisa que quero são olhos promíscuos, mas menos ainda olhos puros. Prefiro olhos cansados de jovens experientes que erram todos os dias, quero aquela irresponsabilidade gostosa. Eu preciso da malícia de lábios finos, da magreza doentia de inconsequentes, dos risos e lágrimas das noites pecaminosas, dos abraços alcoólicos nas manhãs de domingo, da tristeza de esperar quem não vem, da raiva de ver quem ama padecendo, da saudade de algumas horas. Saúdo aqueles ventos gelados que me enchiam de vida, caminhar pelas avenidas desertas mergulhados num sereno que umedecia nossos laços era perder a noção do certo, ignorar toda a moral pra se entregar a um amor imperfeito, a uma selva de alucinados, de homens e mulheres que não passam de meninos e meninas que sorriem tristemente por consciência plena da vida. Admiravelmente imorais, leves como só insanos podem ser.