terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Mais um segmento de amor

O jeito como você olhava, os tiques que você tinha, tudo eu observava, tudo eu absorvia.
Você pousava o rosto sobre as suas tão magras mãos, mãos que surgiam de escuros casacos, sempre escuros. Os cabelos acastanhados e quase lisos que insistia em esconder sob um chapéu escuro, sempre escuro. As suas tão longas pernas, as quais eu jamais tive o prazer de vislumbrar, pela razão de que sempre estiveram cobertas por calças escuras, sempre escuras.
Seu rosto tão pálido, sempre em contraste perfeito com o escuro que vestia, tão tímido, medroso e sozinho. Rosto que você tateava como quem quisesse saber se tudo estava no lugar, e estava, ah como estava!
Cada movimento, cada detalhe, cada simples momento eu guardei secretamente, foi assim que eu amei: secretamente.
Tudo eu olhava, tudo eu absorvia.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Às 22

Procurando ar pra respirar, o fôlego era pouco pra vontade de chorar. Minha fé me traiu, a consciência fraca perdida. Sem pilares pra me sustentar, não levantei. Agonizei, agonizei. Borboletas me distrairam, mas às 22 eu já morrera com o veneno mais doloroso. Sozinho, esquecido, falso e lindo, morri impecável.