segunda-feira, 20 de junho de 2011

O mar dos adultos

Na densidão do azul, na solidez de uma superfície fria, no fim do horizonte, enquanto nossos olhos podem ver. Pra quão longe leva? Por quanto tempo hipnotiza? Por que na sua grandeza não cabe a minha solidão?

Da mais profunda escuridão ou do mais suave riacho, água que molha meus passos, posso sentir o mar inteiro, lágrimas sujas, mortes violentas, túmulo eterno de guerreiros e aventureiros, guardião secreto de queridos que não voltaram, poeta dos homens, pergunta da fé, a tela para o desalento.

Confessionário de covardes, de amantes e de coitados, porque liberta. Liberdade doce que faz inocentes os sábios, que amedronta os laicos. Misteriosos movimentos que conversam com o universo, que anestesiam o coração, que fazem sincero todo garoto, e que são perenes para jamais deixar uma criança sem o som das suas ondas: porque é o último lugar onde os adultos vão brincar.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Ruindo

Um viciado em todas as drogas, um louco cujos olhos assustam, o vândalo do qual as pessoas fogem. Meu céu é cinza, os meus dias são longos, e eu não tenho ninguém pra me dizer coisas amáveis. Eu já gritei, mas não veio ninguém. Eu estou caindo! Nesse abismo entre realidade e utopia chamado ilusão, não é um milagre ainda: eu estou caindo.

Eu ainda sinto falta de alguém pra me chamar pra dormir, o escuro ainda me mostra demônios, e eu ainda vejo os meus sonhos dentro de uma prisão distante. O que eu não aguento mais é a solidão dessa queda, é o vento gelado, e o meu maior medo é de nunca chegar ao chão, é de o chão não ser duro o suficiente pra me matar.

Mágoa

Acho que você não pode mais fazer isso. Diga adeus ao meu sonho, deixe todas as palavras para trás, entregue todas as nossas orações ao vento, deixe todas as rosas do nosso caminho morrerem em paz.

Acenda o seu último cigarro na minha frente, leve o até os lábios e em um trago solte todas as suas dores no meu rosto, porque de tão bêbado eu vou ignorar. E as nossas vidas vão continuar, continuar e continuar...

A inconsequência dos meus sonhos ainda vai me engolir e eu vou morrer de prazer. Se é num grito profano que eu me satisfaço não é na fumaça do seu cigarro que eu vou me perder, muito menos nos seus soluços embriagados interrompendo as minhas noites.

E as nossas vidas vão continuar, continuar e continuar... Mas por favor, vá embora e deixe as rosas morrerem em paz, deixe as palavras para trás.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

A

alma quieta ecoando silenciosamente um frio sentimento de solidão, derramando esbranquiçados suspiros de tristeza que correm mundo a fora. E eu ainda sinto esse silêncio, mas eu grito o tempo todo, em todo lugar, pra quebrá-lo, porque me assusta, não me deixa dormir, me trás lembranças que eu nem quero ter.

A rançosa e alva juventude que carrego não me deixa crescer, me perco na inconseqüência de um garoto qualquer, e assim não me salvo, corro o risco de sempre sentir o meu silêncio. Mas que não me deixem parar, que jamais me impeçam, porque eu ainda sinto aquele silêncio. Que me poupem de gritar o que eu não quero ouvir.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Vazio

E

spaço frio e sólido, escuro, tão escuro que me faz te procurar ali, mas pra minha dor eu não te encontro. E eu sequer deixo tentarem ocupar esse vazio, não deixo iluminarem, tenho medo, escondo e sorrio pra que nem imaginem o que guardo.

Se te busco fecho os olhos e em algum lugar te acho, eu quase sinto a sua pele, eu quase ouço seu ofegar e eu quase sinto o seu cheiro, mas eu nunca vejo, na vontade alucinada e tola meus olhos se abrem e deixo de te quase ter. Sinto raiva quando foge, e volto a provar as lágrimas da saudade, e volto a me jogar num canto qualquer pra doer, pra me lembrar de você.

Mas em que lugar? Quão longe das cartas? Porque estou apaixonado, assumindo uma posição que nem acredito, quebrando as minhas regras, porque te quero, percebi que é você.

Sei que não volta, sei que não olha pra trás, sei que não me deixou, eu sei, eu sei, eu sei. Mas eu sinto com tanta força, basta o silêncio e percebo que não está aqui, e eu encaro novamente aquele espaço vazio, e a resposta é sempre a mesma, então eu fecho os olhos e tombo do meu coração.

sábado, 30 de abril de 2011

Young Memories

N

ão me mostre perfeição, tampouco castidade, a última coisa que quero são olhos promíscuos, mas menos ainda olhos puros. Prefiro olhos cansados de jovens experientes que erram todos os dias, quero aquela irresponsabilidade gostosa. Eu preciso da malícia de lábios finos, da magreza doentia de inconsequentes, dos risos e lágrimas das noites pecaminosas, dos abraços alcoólicos nas manhãs de domingo, da tristeza de esperar quem não vem, da raiva de ver quem ama padecendo, da saudade de algumas horas. Saúdo aqueles ventos gelados que me enchiam de vida, caminhar pelas avenidas desertas mergulhados num sereno que umedecia nossos laços era perder a noção do certo, ignorar toda a moral pra se entregar a um amor imperfeito, a uma selva de alucinados, de homens e mulheres que não passam de meninos e meninas que sorriem tristemente por consciência plena da vida. Admiravelmente imorais, leves como só insanos podem ser.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Do Céu

E se o céu não consola mais? Nas profundezas humanas correm geladas sensações resfriando uma alma que tanto sonhou, aquietando um homem que tanto gritou.
E se olhar para o céu não dá mais paz? No inconsciente humano sinais que manifestam-se apenas sob o silêncio da solidão,
E se a luz não mais vier do céu? O arder de iluminar o caminho a partir da incandescência da própria dor.


terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Mais um segmento de amor

O jeito como você olhava, os tiques que você tinha, tudo eu observava, tudo eu absorvia.
Você pousava o rosto sobre as suas tão magras mãos, mãos que surgiam de escuros casacos, sempre escuros. Os cabelos acastanhados e quase lisos que insistia em esconder sob um chapéu escuro, sempre escuro. As suas tão longas pernas, as quais eu jamais tive o prazer de vislumbrar, pela razão de que sempre estiveram cobertas por calças escuras, sempre escuras.
Seu rosto tão pálido, sempre em contraste perfeito com o escuro que vestia, tão tímido, medroso e sozinho. Rosto que você tateava como quem quisesse saber se tudo estava no lugar, e estava, ah como estava!
Cada movimento, cada detalhe, cada simples momento eu guardei secretamente, foi assim que eu amei: secretamente.
Tudo eu olhava, tudo eu absorvia.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Às 22

Procurando ar pra respirar, o fôlego era pouco pra vontade de chorar. Minha fé me traiu, a consciência fraca perdida. Sem pilares pra me sustentar, não levantei. Agonizei, agonizei. Borboletas me distrairam, mas às 22 eu já morrera com o veneno mais doloroso. Sozinho, esquecido, falso e lindo, morri impecável.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Nunca Quis Assim

Quisera eu, que isso não fosse inédito.
Quisera eu, que estar em teus braços não fosse único
Quisera eu, que não fosses o primeiro.
Quisera eu, que não fosse assim.

Por que eu nunca quis,
Nunca quis,
Nunca quis alguém assim.

Antes de você, era só no olho
Antes de você, era só segredo
Antes de você, era só desejo

Quisera eu, não ter te olhado
Quisera eu, não teres me desvendado
Quisera eu, não teres me realizado
Quisera eu, que não fosse assim.

Porque eu nunca quis,
Nunca quis,
Nunca quis alguém assim.