Na densidão do azul, na solidez de uma superfície fria, no fim do horizonte, enquanto nossos olhos podem ver. Pra quão longe leva? Por quanto tempo hipnotiza? Por que na sua grandeza não cabe a minha solidão?
Da mais profunda escuridão ou do mais suave riacho, água que molha meus passos, posso sentir o mar inteiro, lágrimas sujas, mortes violentas, túmulo eterno de guerreiros e aventureiros, guardião secreto de queridos que não voltaram, poeta dos homens, pergunta da fé, a tela para o desalento.
Confessionário de covardes, de amantes e de coitados, porque liberta. Liberdade doce que faz inocentes os sábios, que amedronta os laicos. Misteriosos movimentos que conversam com o universo, que anestesiam o coração, que fazem sincero todo garoto, e que são perenes para jamais deixar uma criança sem o som das suas ondas: porque é o último lugar onde os adultos vão brincar.
