Deixa eu ir, deixa eu ir procurar alguém pra interpretar meus pensamentos, um alquimista pra me ensinar segredos, um mágico pra me ajudar a guardá-los, um profeta pra me dizer quando contá-los.
Porque pulsa na minha mente a vontade de ser melhor, a vontade de dizer o que sinto, a vontade de esquecer os outros e ainda uma vontade de abandonar o passado. Mas o mundo me prende. Quando ouso pensar alguém me cala, alguém me diz não. Alguém que me salva diariamente, alguém que me impede de viver diariamente, alguém que não tem equilíbrio sobre o que eu devo fazer. Então me deixa ir.
domingo, 26 de abril de 2009
domingo, 12 de abril de 2009
Melhor inverno
Os nossos casacos negros sobrevoando as nossas costas, o vento frio nos nossos rostos secando os lábios que emolduravam sorrisos amarelos, os paralelepípedos da rua combinavam com os seus sapatos, mas na grama era o meu suéter que ornava. Sob a inexistente sombra de uma árvore desfolhada, as estrelas nos contavam histórias como a nossa. Eu juro que ouvia assovios, os carros passavam rápido do outro lado do lago, víamos apenas fios vermelhos de luz. Os nossos braços unidos aqueciam muito mais que o meu corpo, aqueciam meu amor por ela. O seu rosto seco me encarava como quem esperava que eu lhe dissesse algo bonito, mas pra mim podíamos ficar ali o resto de nossas vidas sem conjurar sequer uma palavra, e eu estaria satisfeito, sim, só de estar ao lado dela.
sábado, 11 de abril de 2009
Nada de errado
No meio do escuro eu sinto o seu cheiro, seguido do seu toque e o encontro dos nossos lábios, os seus tão gelados, a minha pele gelada o seu suave arrepio acaricia. As nossas mãos suadas já são conhecidas, mas elas querem conhecer mais. E somos nós mesmos os anfitriões desse pecado. Sem medo e com tempo não há o que possa nos impedir. As vozes tão trêmulas quanto nossos corpos juntos já não se entendiam mais, entre rápidos e demorados suspiros eu soube que aquilo era amor.
Quando a vontade de ficar ali pra sempre, um peso na consciência, mas cúmplices de que não fizemos nada errado.
Quando a vontade de ficar ali pra sempre, um peso na consciência, mas cúmplices de que não fizemos nada errado.
sexta-feira, 10 de abril de 2009
Espetáculo só pra mim
O momento mais esperado do dia
Eu perdi a entrada
Mas contemplei de pé a saída
Eu vi tudo tão de perto
Eu tive coragem e encarei
Era tão lindo
Pude ver os detalhes
Foi rápido
Mas assim mesmo guardei as imagens
Não podia fotografar ou filmar, então salvei as na minha memória
Aquele frio na barriga
Um sorriso preso
Uma inundação de alegria
O mais belo espetáculo, só pra mim.
Eu perdi a entrada
Mas contemplei de pé a saída
Eu vi tudo tão de perto
Eu tive coragem e encarei
Era tão lindo
Pude ver os detalhes
Foi rápido
Mas assim mesmo guardei as imagens
Não podia fotografar ou filmar, então salvei as na minha memória
Aquele frio na barriga
Um sorriso preso
Uma inundação de alegria
O mais belo espetáculo, só pra mim.
sábado, 4 de abril de 2009
Estes tempos difíceis
Aprendendo a viver só, não há ninguém por perto, nem mesmo paredes pra me apoiar, nem mesmo o chão pra me deitar, estou num vazio que eu tenho certeza que tem fim, mas pra chegar ao fim e poder então relaxar aliviado eu teria que caminhar muito.
No extenso vazio eu vejo a sombra de possíveis companhias, dentre elas algumas eu sei que chegarão com facilidade ao fim e poderão então descansar não em paz, mas em euforia por ter conseguido conquistar o sonho de qualquer membro do vazio.
Há ausência de luz, de vaidade e de prazer. Mas é possível sorrir. E mais possível ainda é chorar. E eu juro que eu quero muito chorar, mas eu não consigo, então eu sorrio, e de tanto sorrir lacrimejam-me os olhos e indiretamente as que escorrem pela face são as mesmas que se negam a sair no meu desespero.
Das divindades vem a oportunidade, mas da vida vem a dificuldade. E não há equilíbrio, nem mesmo direção, me cobre o medo de me perder na escuridão vazia e conseguir então chorar.
No extenso vazio eu vejo a sombra de possíveis companhias, dentre elas algumas eu sei que chegarão com facilidade ao fim e poderão então descansar não em paz, mas em euforia por ter conseguido conquistar o sonho de qualquer membro do vazio.
Há ausência de luz, de vaidade e de prazer. Mas é possível sorrir. E mais possível ainda é chorar. E eu juro que eu quero muito chorar, mas eu não consigo, então eu sorrio, e de tanto sorrir lacrimejam-me os olhos e indiretamente as que escorrem pela face são as mesmas que se negam a sair no meu desespero.
Das divindades vem a oportunidade, mas da vida vem a dificuldade. E não há equilíbrio, nem mesmo direção, me cobre o medo de me perder na escuridão vazia e conseguir então chorar.
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